ARQUEOLOGIA BRASILEIRA: A CIDADE PERDIDA DA BAHIA



No município de Xique-Xique, norte da Bahia, pinturas vermelhas e brancas na Toca do Cosmos sugerem conhecimento de astronomia em registros de um calendário lunar e um cometa de 1,63 metro de comprimento. (IPHAN)

 Fotos: Ocimar Barbosa   
  



A região de Gentio do Ouro já foi uma das maiores produtoras de diamantes no mundo, mas hoje está reduzida à exploração em pequena escala. As formações rochosas, muito parecidos com os moais da Ilha de Páscoa, lembram em muito vários semblantes humanos     
                                                                                                                  
O Brasil é um país repleto de misteriosos sítios arqueológicos, são cerca de 10 mil segundo o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Todavia, não existe o mínimo de interesse de investimentos em pesquisas a não ser agora, com um projeto que vem sendo desenvolvido pela Petrobrás.
São descobertas assombrosas no Acre, Pará (uma provável civilização marajoara), Paraíba (pedra do Ingá), Piauí (7 cidades) e Rio de Janeiro (Pedra da Gávea) e uma bem recente e incrível, descoberta em Tocantins durante a construção de Palmas.
Até dá a impressão que a cultura e imposição religiosa trazida de Portugal ainda ameaça os padrões intectuais brasileiros, não permitindo que se estude uma possível ocupação do território nacional, quem sabe, milhares de anos antes da chegada das caravelas.
Há alguns anos, mergulhadores encontraram no litoral brasileiro, aquilo que pode ser os restos de um barco fenício de 2000 A.C e dentro dele, várias ânforas que surpreendentemente, desapareceram. Mas alguns sítios arqueológicos mais antigos remontam 30 mil anos.

A cidade perdida da Bahia

Formações rochosas da Chapada Diamantina Setentrional, próximo da Vila de Santo Inácio - Município de Gentio do Ouro, Bahia. A região já foi uma das maiores produtoras de diamantes no mundo, mas hoje está reduzida à exploração em pequena escala. As formações rochosas, muito parecidos com os moais da Ilha de Páscoa, lembram em muito vários semblantes humanos.
O maior mistério na história do Brasil ou, como diríamos, o mais famoso mito arqueológico brasileiro é a “cidade perdida da Bahia”. O local é incerto, mas as afirmações coincidem com os detalhes de antigos viajantes que falavam de ruas calçadas e muros altos de pedras.
A lenda teve início nos tempos do império, quando o governo português mandou prender Robério Dias, o Muribeca, por não querer revelar a localização de ricas minas de prata na Bahia. Há indícios, aliás, registros muito contundentes que deixam a impressão que “algo muito sério” está sendo escondido propositalmente durante vários anos.

Documentos

A cidade perdida do sertão baiano passou por uma pesquisa minuciosa entre os anos de 1840 e 1847. Tudo porque, um ano antes, fora encontrado pelo naturalista português Manoel Ferreira Lagos um documento envelhecido, esquecido num canto da Livraria Pública da Corte (Atual Biblioteca Nacional). Era um velho manuscrito carcomido pela passagem do tempo que hoje é catalogado com o número 512, de 10 páginas com o título: “RELAÇÃO HISTÓRICA E OCCULTA, E GRANDE POVOAÇÃO ANTIQUÍSSIMA SEM MORADORES”.
A região é inóspita. Os depoimentos nem sempre coincidem mas há vários pontos que confirmam relatos de uns e outros sobre ruínas espantosas. Apesar de não haver comprovação da realidade, os intelectuais e entusiastas acreditam que todos os esforços devem ser dedicados, pois que esses vestígios podem conduzir às grandes descobertas de um passado misterioso, não só do Brasil, mas envolvente para todo o continente sul-americano.

A lenda

Os relatos que falam da “Lenda da Montanha de Cristal” descreve uma montanha muito brilhante. Os bandeirantes não conseguiram escalá-la, mas um negro descobrira o caminho todo calçado de pedras por dentro da montanha. Do alto, dizia o relato, avistava-se uma enorme povoação. O local mostrava-se despovoado, assim, iniciaram sua exploração.
Esse único caminho de pedra levava até a entrada da fantástica cidade (prossegue o relato) até chegar à entrada com um portal que possuía três arcos de grande altura. Havia letras que não poderiam ser copiadas devido à grande altura do portal.
As casas eram construídas de forma simétrica e a cidade parecia uma só propriedade. As coberturas das casas eram, algumas de teto de ladrilho requeimado e outras de laje.
No final da rua, surgia uma praça regular com algo extraordinariamente grande: uma coluna de pedra preta bem ao centro com a estátua de um homem que apontava com o dedo indicador para o Pólo Norte. Em cada canto da praça, ao estilo romano, ficava uma agulha, algumas já destruídas pelo efeito de raios.

O relato continua

Outra grande figura encontrada sobre o pórtico principal da mesma rua, era coroada de louros e despida da cintura para baixo, trazendo estranhas inscrições abaixo do escudo. De ambos os lados da praça, edifícios grandiosos, sendo que o primeiro parecia um templo com figuras em relevo tais como corvos e cruzes. Muitos escombros e ruínas completava o cenário que era encontravado, parecendo que havia acontecido um terremoto.
Um grande rio passava do lado da praça, por onde os bandeirantes navegaram durante três dias até atingirem uma cachoeira. Também foi encontrada uma moeda de ouro desconhecida que trazia a gravura de um homem de joelhos. No verso da moeda, um arco, uma coroa e uma flecha.

A carta fez a lenda

De volta da expedição, os bandeirantes enviaram uma carta ao Rio de Janeiro, o que originou os manuscritos encontrado em 1839.
A autoria do manuscrito, segundo o pesquisador Heman Kruse e o historiador Pedro Calmon, foi conferida ao bandeirante João da Silva Guimarães, que teria percorrido os sertões da Bahia entre 1752 e 1753.
Estranho é que as autoridades brasileiras, depois de todos os esforços dos tempos do império, jamais se pronunciaram sobre essa miragem fantástica que desafia nossa imaginação. Parte dela ainda pode estar lá, envolvida pela vegetação, contando uma história bem diferente do que nos é ensinada nos livros escolares.